Revelação banal sobre o lixo de Santa Maria
Como já passaram vários anos aqui vai um modesto exemplo de como se fazem as coisas em Santa Maria e nos Açores.
No Carnaval do ano 1999 estive em Santa Maria durante um fim-de-semana prolongado com a minha esposa, filha e vários amigos estrangeiros que não conheciam a melhor ilha do mundo. Como sempre na minha terra, ando desaparecido em busca de locais míticos – diria poéticos – que imagino terem sido feitos, apenas, para satisfazerem o meu ego de mariense envaidecido. Numa dessas «caminhadas» atravessamos o espaço que vai do Barreiro da Faneca para as antigas instalações do Polígono de Acústica Submarina; depois fizemos o velho caminho em direcção ao terminal do aeroporto. Conhecia a área desde sempre (minha avó tinha umas terras na Faneca e lá brinquei em criança) pelo que não estava preparado para o que vi: lixo urbano vergonhosamente a céu aberto, sucatas antigas de várias negligências, milhares de garrafas de vidro vazias, cadáveres de animais e toda a porcaria (muita dela recente) que se possa imaginar.
Como não gosto mesmo nada do senhor Presidente da Câmara Municipal de Vila do Porto, arranjei logo um culpado e dei a minha sentença; só que arranjar um evidente acusado de desleixo político não me resolvia o problema e deixava tudo na mesma.
Na altura exercia também funções de assessor jurídico do senhor Presidente do Governo e posso dizer que todas as pessoas que falei sobre o assunto (e foram tantas!) deram-me razão e prometeram agir, de imediato. Elaborei ainda nas minhas horas privadas um levantamento de toda a legislação e doutrina relevantes, designadamente nas vertentes comunitárias e da responsabilidade civil e criminal por danos ambientais. Como seria de esperar nada aconteceu. Nada, fosse pela habitual preguiça, fosse para proteger incúrias de outros, fosse para prolongar o estilo que faz sucesso na nossa terra; ou seja, o habitual nestes nossos Açores onde ninguém assume nada, onde as convicções e a defesa dos interesses das populações são para muitos políticos, um aparente bordel.
E, então, passemos a uma banal acção directa: fotografamos tudo e decidimos publicar no Açoriano Oriental, que na altura deu relevo de primeira página pois tinha um Director sério e não corrupto... Recordo que fizeram até vários artigos com as fotografias que eu e vários amigos tiramos...
Não sendo a solução perfeita, acabou por sentar à mesa vários dos alegados responsáveis e, ainda que com manifestas deficiências, fez-se alguma coisa. Isto é, sem a publicação das fotografias sobre a nojeira dos lixos em Santa Maria, estaríamos ainda no território profundo das promessas.
Como disse um amiga minha, «foi o medo que os levou a agir, pois...»
António João Correia
sábado, fevereiro 28, 2004
A teoria do abandono?
Santa Maria tem um fascínio pelo abandono. Da coroa portuguesa que a deixou durante séculos entregue a piratas e beatos agoniados, de uma república excitada que ignorou quase tudo, de um salazarismo avarento, de um «mota amaralismo» interesseiro, impotente e mais recentemente de um (pseudo) socialismo pedante, etilizado e muitas vezes ignorante.
De promessa em promessa a ilha foi-se fazendo por ela própria; por vezes com mercenários apaixonados outras com corajosos que optaram pela afectividade em detrimento de uma salvação miraculosa.
Não restam dúvidas: é da sua população que terá de partir qualquer esperança solidificada num fundamento de desenvolvimento. O Messias vindo do exterior, seja na forma do comprador de urzela ou pastel, intermediário de laranjas para a Inglaterra, barco baleeiro com mão de obra barata para a América, comparador de bolas de barro, fazedor de aeroportos, zonas francas, estudos milionários sobre nada e foguetões para Marte terá sempre lugar na criação do adiamento. Adiamento possível, sedutor, mas ainda assim, contributo sagrado para a possibilidade permanente do abandono.
Não que a utopia seja irrelevante para Santa Maria, mas também é preciso aplicar as possibilidades do concreto, aquilo que se chamará o fascínio da simplicidade. Mas é da ilha que terá de partir o renascimento de todas as potencialidades.
Os outros – e nunca faltaram outros em Santa Maria – podem ajudar ou dificultar mas a iniciativa tem de partir da ilha, de uma génese que não se deixe abater pelas aparentes facilidades do nada se fazer. O fascínio do abandono tem de ser
ficção.
António João Correia
Santa Maria tem um fascínio pelo abandono. Da coroa portuguesa que a deixou durante séculos entregue a piratas e beatos agoniados, de uma república excitada que ignorou quase tudo, de um salazarismo avarento, de um «mota amaralismo» interesseiro, impotente e mais recentemente de um (pseudo) socialismo pedante, etilizado e muitas vezes ignorante.
De promessa em promessa a ilha foi-se fazendo por ela própria; por vezes com mercenários apaixonados outras com corajosos que optaram pela afectividade em detrimento de uma salvação miraculosa.
Não restam dúvidas: é da sua população que terá de partir qualquer esperança solidificada num fundamento de desenvolvimento. O Messias vindo do exterior, seja na forma do comprador de urzela ou pastel, intermediário de laranjas para a Inglaterra, barco baleeiro com mão de obra barata para a América, comparador de bolas de barro, fazedor de aeroportos, zonas francas, estudos milionários sobre nada e foguetões para Marte terá sempre lugar na criação do adiamento. Adiamento possível, sedutor, mas ainda assim, contributo sagrado para a possibilidade permanente do abandono.
Não que a utopia seja irrelevante para Santa Maria, mas também é preciso aplicar as possibilidades do concreto, aquilo que se chamará o fascínio da simplicidade. Mas é da ilha que terá de partir o renascimento de todas as potencialidades.
Os outros – e nunca faltaram outros em Santa Maria – podem ajudar ou dificultar mas a iniciativa tem de partir da ilha, de uma génese que não se deixe abater pelas aparentes facilidades do nada se fazer. O fascínio do abandono tem de ser
ficção.
António João Correia
sábado, fevereiro 14, 2004
Encontros
Na sequência do post anterior, O Binóculo do Pico Alto recebeu em binoculo@clix.pt o seguinte mail:
Nome=Renato Azevedo Pereira
Email=razevedop@terra.com.be
comentário=Caros Senhores do Binóculo: No dia 10 p/passado, deixei aqui uma
mensagem solicitando ajuda para localizar uma prima residente em Santa Maria.
Hoje, 13/02/04, recebi mensagem de sua filha Teresa me dando notícias e a sua
morada. Obrigado, muito obrigado ! Renato
Bem hajam!
Na sequência do post anterior, O Binóculo do Pico Alto recebeu em binoculo@clix.pt o seguinte mail:
Nome=Renato Azevedo Pereira
Email=razevedop@terra.com.be
comentário=Caros Senhores do Binóculo: No dia 10 p/passado, deixei aqui uma
mensagem solicitando ajuda para localizar uma prima residente em Santa Maria.
Hoje, 13/02/04, recebi mensagem de sua filha Teresa me dando notícias e a sua
morada. Obrigado, muito obrigado ! Renato
Bem hajam!
terça-feira, fevereiro 10, 2004
Olhómetro - "ponto de encontro"
O Binóculo do Pico Alto recebeu em binoculo@clix.pt o seguinte mail:
Nome=Renato Azevedo Pereira
Email=razevedop@terra.com.br
comentário=Sou natural do Capelo, Faial. Estou no Brasil desde 1955. Tenho uma
prima, nascida AIDA PEREIRA, que reside em Santa Maria. Gostaria muito de
manter contato. Agradeço ajuda. Renato
Bem hajam!
O Binóculo do Pico Alto recebeu em binoculo@clix.pt o seguinte mail:
Nome=Renato Azevedo Pereira
Email=razevedop@terra.com.br
comentário=Sou natural do Capelo, Faial. Estou no Brasil desde 1955. Tenho uma
prima, nascida AIDA PEREIRA, que reside em Santa Maria. Gostaria muito de
manter contato. Agradeço ajuda. Renato
Bem hajam!
domingo, fevereiro 08, 2004
Do melhor de Santa Maria
Li o «post» anterior do "foguetabraze" e pensei no seguinte: não seria o Max, um dos símbolos reais de Santa Maria, da qualidade da cultura que temos, um excelente candidato a representar politicamente o melhor que Santa Maria tem. Imaginem o Max em Presidente da Câmara de Vila do Porto ou deputado pela ilha. Não acham que Santa Maria seria a mais beneficiada? Não acham que se inverteria uma letargia aguda que tomou conta da verdade mariense ? Assino onde desejarem ( escrevo por iniciativa e responsabilidade próprias ignorando o quer que seja).
António João Correia
Li o «post» anterior do "foguetabraze" e pensei no seguinte: não seria o Max, um dos símbolos reais de Santa Maria, da qualidade da cultura que temos, um excelente candidato a representar politicamente o melhor que Santa Maria tem. Imaginem o Max em Presidente da Câmara de Vila do Porto ou deputado pela ilha. Não acham que Santa Maria seria a mais beneficiada? Não acham que se inverteria uma letargia aguda que tomou conta da verdade mariense ? Assino onde desejarem ( escrevo por iniciativa e responsabilidade próprias ignorando o quer que seja).
António João Correia
domingo, fevereiro 01, 2004
Gastronomia de Santa Maria (que é difícil encontrar em Santa Maria !)
Papas de gófe (gófio)
Açorda Azeda
Caldo de Nabos
Couves com bolo na panela
Cavala à Sacristão
Cherne frito de vinha de alhos
Garoupa recheada
Empadão de lapas
Caçoilha
Carneiro à miguelista
Coelho de molho de vilão
Esparregado de nabos
Torresmos de lombo
Molhos
Biscoito de orelhas
Bolos de esperança
Coscorões
Cavacas
Doce de capucho
etc., etc...
A única recolha que conheço é a de Augusto Gomes (Edição da Direcção Regional da Cultura, 1998) mas acho que existe material para provar o que defendo (em minoria): a gastronomia de Santa Maria é a mais original dos Açores e uma das melhores da Europa.
Papas de gófe (gófio)
Açorda Azeda
Caldo de Nabos
Couves com bolo na panela
Cavala à Sacristão
Cherne frito de vinha de alhos
Garoupa recheada
Empadão de lapas
Caçoilha
Carneiro à miguelista
Coelho de molho de vilão
Esparregado de nabos
Torresmos de lombo
Molhos
Biscoito de orelhas
Bolos de esperança
Coscorões
Cavacas
Doce de capucho
etc., etc...
A única recolha que conheço é a de Augusto Gomes (Edição da Direcção Regional da Cultura, 1998) mas acho que existe material para provar o que defendo (em minoria): a gastronomia de Santa Maria é a mais original dos Açores e uma das melhores da Europa.
domingo, janeiro 25, 2004
Livros sobre Santa Maria
Quem lida comigo numa base diária, sabe da obsessão sobre Santa Maria. A propósito de tudo e de nada lá encontro um exemplo que tem de se relacionar com a ilha mariense. Talvez para me calarem, «de vez em quando», lá me pedem um livro com informação ou com «coisas» sobre Santa Maria...Nunca sei muito bem o que recomendar e por vezes - quase sempre - não existem traduções.
Gosto muito do livro(s) do saudoso padre Jacinto Monteiro, tenho uma admiração profunda pelos livros de Jaime de Figueiredo e leio sempre com muito prazer o que o senhor Adriano Ferreira tem publicado. Agora, pergunto, não estará na altura ( e se já existir tenho de assumir ignorância tonta) a publicação actualizada de uma colecção de autores de Santa Maria ou que se tenham relacionado com Santa Maria ? Para além dos autores que citei, sugiro as obras poéticas dos senhores padres Serafim de Chaves, Lopes e da extraordinária Madalena Férin ( existem muitos mais obviamente).
E claro, faltará a publicação de uma história contemporânea de Santa Maria, provavelmente a parte mais expressiva da história açoriana da primeira metade do século XX, etc, etc. Reduzir a história de Santa Maria a umas páginas de guia para turistas é quase anedótico...
Uma das vantagens deste e outros «blogs» sobre Santa Maria poderá ser ainda o «arquivar» uma memória da ilha . Por outras palavras, depositar e criar neste mundo dito virtual também os livros sobre Santa Maria que faltam ou não estão disponíveis no mundo «físico».
Concordo totalmente com a excelente ideia do Ricardo sobre a antiga fábrica. É na cultura que Santa Maria se distingue!
António João Correia
Quem lida comigo numa base diária, sabe da obsessão sobre Santa Maria. A propósito de tudo e de nada lá encontro um exemplo que tem de se relacionar com a ilha mariense. Talvez para me calarem, «de vez em quando», lá me pedem um livro com informação ou com «coisas» sobre Santa Maria...Nunca sei muito bem o que recomendar e por vezes - quase sempre - não existem traduções.
Gosto muito do livro(s) do saudoso padre Jacinto Monteiro, tenho uma admiração profunda pelos livros de Jaime de Figueiredo e leio sempre com muito prazer o que o senhor Adriano Ferreira tem publicado. Agora, pergunto, não estará na altura ( e se já existir tenho de assumir ignorância tonta) a publicação actualizada de uma colecção de autores de Santa Maria ou que se tenham relacionado com Santa Maria ? Para além dos autores que citei, sugiro as obras poéticas dos senhores padres Serafim de Chaves, Lopes e da extraordinária Madalena Férin ( existem muitos mais obviamente).
E claro, faltará a publicação de uma história contemporânea de Santa Maria, provavelmente a parte mais expressiva da história açoriana da primeira metade do século XX, etc, etc. Reduzir a história de Santa Maria a umas páginas de guia para turistas é quase anedótico...
Uma das vantagens deste e outros «blogs» sobre Santa Maria poderá ser ainda o «arquivar» uma memória da ilha . Por outras palavras, depositar e criar neste mundo dito virtual também os livros sobre Santa Maria que faltam ou não estão disponíveis no mundo «físico».
Concordo totalmente com a excelente ideia do Ricardo sobre a antiga fábrica. É na cultura que Santa Maria se distingue!
António João Correia
quinta-feira, janeiro 22, 2004
Conversa
Depois de ler o «post» do "fogotabrase" sobre as ligações aéreas entre Santa Maria e Lisboa, gostaria de dizer o seguinte, em repetição do que escrevi em alguns jornais:
a) A vontade política do Governo Regional ( deste e anteriores) no progresso de Santa Maria foi sempre putativa, sendo um tema para alegrar sessões de esclarecimento e vagos programas eleitorais; Santa Maria não pesa no «xadrez» da política regional e apenas tem direito a migalhas, muitas vezes como esmolas;
b) Bastava uma decisão. Política, mas era uma decisão que fazia e faz sentido para as ligações directas com o exterior da Região, também a partir de Santa Maria ( que é quem tem mais história nesta matéria);
c) Os legítimos representantes da ilha aparentam não ter qualquer tipo de influência; invisíveis, certamente com boas intenções, mas sem resultados. Anos e anos assim.
d) Este Secretário da Economia, com o apreço pessoal que tenho por ele, pura e simplesmente é uma nulidade política. Ninguém pode fazer caso das suas decisões políticas, pois não existem. Não faz nada. Mais do que ridícula é uma real tristeza.
e) Os marienses, os marienses que vivem a sua ilha, independentemente dos partidos, organizações, ideologias têm de se unificar naquilo que mais importa. Só com uma voz organizada e credível é que terão alguma coisa. Se ficarem esperando pelos políticos, bem, é melhor que fiquem sentados.
António João Correia
Depois de ler o «post» do "fogotabrase" sobre as ligações aéreas entre Santa Maria e Lisboa, gostaria de dizer o seguinte, em repetição do que escrevi em alguns jornais:
a) A vontade política do Governo Regional ( deste e anteriores) no progresso de Santa Maria foi sempre putativa, sendo um tema para alegrar sessões de esclarecimento e vagos programas eleitorais; Santa Maria não pesa no «xadrez» da política regional e apenas tem direito a migalhas, muitas vezes como esmolas;
b) Bastava uma decisão. Política, mas era uma decisão que fazia e faz sentido para as ligações directas com o exterior da Região, também a partir de Santa Maria ( que é quem tem mais história nesta matéria);
c) Os legítimos representantes da ilha aparentam não ter qualquer tipo de influência; invisíveis, certamente com boas intenções, mas sem resultados. Anos e anos assim.
d) Este Secretário da Economia, com o apreço pessoal que tenho por ele, pura e simplesmente é uma nulidade política. Ninguém pode fazer caso das suas decisões políticas, pois não existem. Não faz nada. Mais do que ridícula é uma real tristeza.
e) Os marienses, os marienses que vivem a sua ilha, independentemente dos partidos, organizações, ideologias têm de se unificar naquilo que mais importa. Só com uma voz organizada e credível é que terão alguma coisa. Se ficarem esperando pelos políticos, bem, é melhor que fiquem sentados.
António João Correia
quarta-feira, janeiro 21, 2004
Aqui está a primeira proposta, vinda da Velha Maluca, em resposta ao desafio lançado. Em minha opinião, superou as melhores expectativas, pelo que, a fasquia está colocada bem alta.
Agora é só continuarem e pôr a imaginação a trabalhar.
Claro que no final para reclamar o prémio será necessário o bloguista se identificar, como é evidente.
segunda-feira, janeiro 19, 2004
Não sei se é por ter sido fim de semana, ou se a preguiça atacou os bloguistas marienses esta última semana.
Para marcar o "ponto" aqui no Olhometro, aqui ficam mais duas sugestões para GT. Do Karolas, lembram-se?
Pois é, segundo a mentora do projecto Karolas, Mitó, aqui ficam mais duas hípoteses:
"Também pode ser Grande Treta se a coisa não correr bem ou Grande Teta se começar a dar lucros .... enfim GT é como a vodafone ... dá para tudo ....."
Lanço aqui um desafio em jeito de concurso: Aceitam-se propostas para as iniciais GT. O Prémio será uma entrada grátis para a "revista".
Aqui fica a proposta.
Para marcar o "ponto" aqui no Olhometro, aqui ficam mais duas sugestões para GT. Do Karolas, lembram-se?
Pois é, segundo a mentora do projecto Karolas, Mitó, aqui ficam mais duas hípoteses:
"Também pode ser Grande Treta se a coisa não correr bem ou Grande Teta se começar a dar lucros .... enfim GT é como a vodafone ... dá para tudo ....."
Lanço aqui um desafio em jeito de concurso: Aceitam-se propostas para as iniciais GT. O Prémio será uma entrada grátis para a "revista".
Aqui fica a proposta.
sábado, janeiro 17, 2004
Boas notícias
Uma boa notícia o regresso do teatro a Santa Maria! Com grandes tradições, era através do teatro que o nosso povo se divertia até ao aparecimento de «coisas» mais modernas como o cinema, que terá começado, salvo erro, em «cima-da-rocha» antes dos anos quarenta.
Seria importante que se fizesse uma recolha dos textos e músicas que eram utilizados ( e escritos), nomeadamente aqueles que tinham origem numa riquíssima tradição oral, talvez anterior ao século XIX.
Acredito que é na cultura que Santa Maria pode e deve fazer a diferença. O fenómeno da imitação por baixo, seguindo a moda «pimba» que reina nestes Açores não serve Santa Maria.
Só agora li o "Baluarte" de Dezembro ( viver transitoriamente no Oceano Pacífico tem destas coisas). A coisa melhorou. Dizem-me os meus «informadores» que o número de Novembro era reforçado na tendência devido a uma visita do Governo Regional. O pragmatismo mariense...Até nos alegados defeitos apetece abraçar Santa Maria.
Resistir
Uma boa notícia o regresso do teatro a Santa Maria! Com grandes tradições, era através do teatro que o nosso povo se divertia até ao aparecimento de «coisas» mais modernas como o cinema, que terá começado, salvo erro, em «cima-da-rocha» antes dos anos quarenta.
Seria importante que se fizesse uma recolha dos textos e músicas que eram utilizados ( e escritos), nomeadamente aqueles que tinham origem numa riquíssima tradição oral, talvez anterior ao século XIX.
Acredito que é na cultura que Santa Maria pode e deve fazer a diferença. O fenómeno da imitação por baixo, seguindo a moda «pimba» que reina nestes Açores não serve Santa Maria.
Só agora li o "Baluarte" de Dezembro ( viver transitoriamente no Oceano Pacífico tem destas coisas). A coisa melhorou. Dizem-me os meus «informadores» que o número de Novembro era reforçado na tendência devido a uma visita do Governo Regional. O pragmatismo mariense...Até nos alegados defeitos apetece abraçar Santa Maria.
Resistir
Estava curioso, mas elucidaram-me.
Já o ET tinha referido, aqui mesmo no Olhometro, aquilo que eu também calculei que fosse.
Mas, aqui vaí o esclarecimento recebido por e-mail da mentora do projecto Karola.GT:
"Boa pergunta ..... GT significa Grupo Teatro mas também serve para Gente Teimosa, Grande Trabalho ( no sentido de volume). E mais não disse porque de momento não me alembrei . Obrigado pela publicidade. "
Mitó
E eu acrescento e sugiro: Grandes Talentos!
Já o ET tinha referido, aqui mesmo no Olhometro, aquilo que eu também calculei que fosse.
Mas, aqui vaí o esclarecimento recebido por e-mail da mentora do projecto Karola.GT:
"Boa pergunta ..... GT significa Grupo Teatro mas também serve para Gente Teimosa, Grande Trabalho ( no sentido de volume). E mais não disse porque de momento não me alembrei . Obrigado pela publicidade. "
Mitó
E eu acrescento e sugiro: Grandes Talentos!
Nesta minhas deambulações pela Blogosfera, acabei por ir parar a uma página, deveras interessante.
Trata-se de um inquérito sobre blogs e bloguistas, realizado por uma estudante de Doutoramento do prestigiante MIT. O inquerito, realizado on-line, constituirá a base do trabalho a apresentar .
Dado o crescente fenomeno dos Blogs, será de todo o interesse podermos contribuir desta forma para o seu estudo. No final do inquérito, há a possibilidade de solicitar o envio dos resultados desse estudo, o qual será também interessante.
Trata-se de um inquérito sobre blogs e bloguistas, realizado por uma estudante de Doutoramento do prestigiante MIT. O inquerito, realizado on-line, constituirá a base do trabalho a apresentar .
Dado o crescente fenomeno dos Blogs, será de todo o interesse podermos contribuir desta forma para o seu estudo. No final do inquérito, há a possibilidade de solicitar o envio dos resultados desse estudo, o qual será também interessante.
quinta-feira, janeiro 15, 2004
"Foi criado oficialmente, e na sequência da revista È DE GRITOS , no dia 10 do corrente, o Grupo de Teatro Karolas.GT , que integra o núcleo cultural do Clube Ana . Já estamos a trabalhar no próximo espectáculo e também já temos uma pequena digressão agendada. Portanto, esperemos que o Teatro renasça com força na nossa Ilha."
Excelente inicíativa, que desde já se sauda com votos de grandes sucessos.
Há, porém, uma coisa que me está a deixar curioso. Karolas, sabemos o que são e quem são, mas o que significa "GT"?
Elucidem-me, para podermos partilhar aqui, na Blogosfera.
Botafaladura
Excelente inicíativa, que desde já se sauda com votos de grandes sucessos.
Há, porém, uma coisa que me está a deixar curioso. Karolas, sabemos o que são e quem são, mas o que significa "GT"?
Elucidem-me, para podermos partilhar aqui, na Blogosfera.
Botafaladura
quarta-feira, janeiro 14, 2004
Santa Maria ou a concepção poética do abandono
Santa Maria também é moldada por mitos que ainda não conseguiu, ou não desejou, abandonar: o mito do aeroporto, como factor de progresso e riqueza; o mito da emigração, como exemplo de liberdade, oportunidade e independência económicas; o mito do poder político como Messias.
O aeroporto colonizou a ilha, obrigando a perceber que as fronteiras de uma certa ideia de modernidade poderiam ser abertas. Durante dezenas de anos foi o expoente da verdade mariense sobre o futuro. Qualquer destino só poderia passar pelo aeroporto. Criou-se a típica dependência, dolorosa, tendo em conta que as alternativas nunca foram sérias.
O mito da emigração mariense é muito antigo, violentamente anterior ao século XIX. Do Brasil à corrida do ouro na Califórnia, é no sonho da partida que se realizará a construção de uma liberdade de acção, a oportunidade de fugir ao destino e a utopia de voltar um dia. Assistir a um império em Hudson, diz-nos mais sobre a verdade poética de Santa Maria do que qualquer amante apaixonada.
O poder político se é confuso sobre Santa Maria, estranho com as suas gentes, quase sempre mal preparado, foi gerindo alvoroços, tentando imitar o fenómeno português da cultura do desmazelo. Também aqui se inventou uma subordinação, novos expedientes de adiamento, pecado com misérias e glórias pouco claras.
Ilustres marienses: o que falta para se cumprir Santa Maria?
Resistir
Santa Maria também é moldada por mitos que ainda não conseguiu, ou não desejou, abandonar: o mito do aeroporto, como factor de progresso e riqueza; o mito da emigração, como exemplo de liberdade, oportunidade e independência económicas; o mito do poder político como Messias.
O aeroporto colonizou a ilha, obrigando a perceber que as fronteiras de uma certa ideia de modernidade poderiam ser abertas. Durante dezenas de anos foi o expoente da verdade mariense sobre o futuro. Qualquer destino só poderia passar pelo aeroporto. Criou-se a típica dependência, dolorosa, tendo em conta que as alternativas nunca foram sérias.
O mito da emigração mariense é muito antigo, violentamente anterior ao século XIX. Do Brasil à corrida do ouro na Califórnia, é no sonho da partida que se realizará a construção de uma liberdade de acção, a oportunidade de fugir ao destino e a utopia de voltar um dia. Assistir a um império em Hudson, diz-nos mais sobre a verdade poética de Santa Maria do que qualquer amante apaixonada.
O poder político se é confuso sobre Santa Maria, estranho com as suas gentes, quase sempre mal preparado, foi gerindo alvoroços, tentando imitar o fenómeno português da cultura do desmazelo. Também aqui se inventou uma subordinação, novos expedientes de adiamento, pecado com misérias e glórias pouco claras.
Ilustres marienses: o que falta para se cumprir Santa Maria?
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segunda-feira, janeiro 12, 2004
Política partidária
Não concordo totalmente com o interessante «post» do Paulo Henrique sobre o notável desempenho da Câmara Municipal de Vila do Porto. O facto de só agora começarem é um acontecimento que merece festejos e até a contratação de algum estudo internacional, uma festa com algum cantor «pimba», uma sessão contínua de auto galanteios. É que habitualmente a lentidão dura anos, anos e anos.
Para mim será sinal de outra coisa: as lutas fratricidas para os lugares de deputado do PS por Santa Maria regressaram às análises da política local. Percebe-se, pois, que existe a ambição legítima de uma(s) transferência da Câmara para o lugar elegível de deputado. É que a Câmara ainda dá algum trabalho(?) e responsabilidade. Como deputado, basta ir receber o salário e a «justa» reforma.
O velho caciquismo do século XIX português, tem na política mariense, um campo de amizade exemplar!
Resistir
Não concordo totalmente com o interessante «post» do Paulo Henrique sobre o notável desempenho da Câmara Municipal de Vila do Porto. O facto de só agora começarem é um acontecimento que merece festejos e até a contratação de algum estudo internacional, uma festa com algum cantor «pimba», uma sessão contínua de auto galanteios. É que habitualmente a lentidão dura anos, anos e anos.
Para mim será sinal de outra coisa: as lutas fratricidas para os lugares de deputado do PS por Santa Maria regressaram às análises da política local. Percebe-se, pois, que existe a ambição legítima de uma(s) transferência da Câmara para o lugar elegível de deputado. É que a Câmara ainda dá algum trabalho(?) e responsabilidade. Como deputado, basta ir receber o salário e a «justa» reforma.
O velho caciquismo do século XIX português, tem na política mariense, um campo de amizade exemplar!
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domingo, janeiro 11, 2004
Criminosos na estrada
Como no mundo bloguista mariense existe uma certa apreensão para a fiscalização que se faz nas estradas da ilha, aqui fica o meu contributo com votos para que a PSP faça mais e melhor....
No Verão de 2002, pela meia-noite, regressava da Maia em direcção a Santo Espírito, como se sabe uma estrada algo complicada. Bem, eis quando vem na minha direcção um carro totalmente descontrolado, certamente a mais de 80 km à hora ( a descer a Maia!!!). No último segundo virei para o muro mas não evitei um toque que me arrancou o espelho retrovisor, ofereceu vários riscos na pintura e um susto. O pior viria depois: um carro com cinco jovens totalmente alcoolizados, de garrafas de cerveja e whisky na mão, em festa, apresentando-se um deles como sacerdote na ilha, o que ainda hoje não acredito. Não sendo propriamente conservadores, eu e a minha esposa, ficamos literalmente «a rezar» para que a polícia e os tribunais tenham coragem de tirar estes criminosos da estrada.
Não é contra o beber, é contra o conduzir embriagado e em impunidade!
Como no mundo bloguista mariense existe uma certa apreensão para a fiscalização que se faz nas estradas da ilha, aqui fica o meu contributo com votos para que a PSP faça mais e melhor....
No Verão de 2002, pela meia-noite, regressava da Maia em direcção a Santo Espírito, como se sabe uma estrada algo complicada. Bem, eis quando vem na minha direcção um carro totalmente descontrolado, certamente a mais de 80 km à hora ( a descer a Maia!!!). No último segundo virei para o muro mas não evitei um toque que me arrancou o espelho retrovisor, ofereceu vários riscos na pintura e um susto. O pior viria depois: um carro com cinco jovens totalmente alcoolizados, de garrafas de cerveja e whisky na mão, em festa, apresentando-se um deles como sacerdote na ilha, o que ainda hoje não acredito. Não sendo propriamente conservadores, eu e a minha esposa, ficamos literalmente «a rezar» para que a polícia e os tribunais tenham coragem de tirar estes criminosos da estrada.
Não é contra o beber, é contra o conduzir embriagado e em impunidade!
sexta-feira, janeiro 09, 2004
Temas rápidos sobre Santa Maria. Exageros ?
Negativos:
A irrelevância dos políticos locais na angariação de influências para Santa Maria.
O caciquismo quase jacobino como escola de sucesso político e económico.
Critérios na feitura das obras públicas ( um mistério).
Qualidade da água ( outro mistério).
Ligações com o exterior. Sempre o mesmo. Os mais estranhos horários, especialmente nas ligações marítimas de Verão.
O Verão. É sempre a mesma conversa, mas ganhará Santa Maria com a invasão massificada, «agostiana», da classe média baixa de São Miguel ?
Iniciativa privada ? Esperam pelo Governo ? Pelo favor ? O jeito ?
Serviços médicos. Nada muda ? Diagnósticos pelo telefone ?
Preços aos consumidores. Os transportes não justificam tudo. A vida em Santa Maria é cara. Talvez das mais dispendiosas em Portugal.
Oposição a dias. Desconhecida. Ocupa-se da estética dos muros escolares ? E o resto ?
O jornal Baluarte como o mais socialista dos jornais socialistas que são conhecidos na galáxia em que vivemos ( e eu leio sempre o Baluarte e até sou de esquerda, mas aquilo é demais!)
Positivos:
A melhor ilha do mundo e, bem vistas as coisas, tudo se resolve.
Resistir
Negativos:
A irrelevância dos políticos locais na angariação de influências para Santa Maria.
O caciquismo quase jacobino como escola de sucesso político e económico.
Critérios na feitura das obras públicas ( um mistério).
Qualidade da água ( outro mistério).
Ligações com o exterior. Sempre o mesmo. Os mais estranhos horários, especialmente nas ligações marítimas de Verão.
O Verão. É sempre a mesma conversa, mas ganhará Santa Maria com a invasão massificada, «agostiana», da classe média baixa de São Miguel ?
Iniciativa privada ? Esperam pelo Governo ? Pelo favor ? O jeito ?
Serviços médicos. Nada muda ? Diagnósticos pelo telefone ?
Preços aos consumidores. Os transportes não justificam tudo. A vida em Santa Maria é cara. Talvez das mais dispendiosas em Portugal.
Oposição a dias. Desconhecida. Ocupa-se da estética dos muros escolares ? E o resto ?
O jornal Baluarte como o mais socialista dos jornais socialistas que são conhecidos na galáxia em que vivemos ( e eu leio sempre o Baluarte e até sou de esquerda, mas aquilo é demais!)
Positivos:
A melhor ilha do mundo e, bem vistas as coisas, tudo se resolve.
Resistir
Os exilados de Santa Maria, a idade. Turistas.
36 anos. Leio estes ilustres blogs ( blogues?) marienses e reconheço que só conheço dois ou três dos seus autores.
Passeio nas ruas de Vila do Porto ( que são minhas como se sabe) e quase não conheço ninguém. Quem são estas pessoas ?
Na praia confundem-me com um qualquer japonês. Um primo distante diz que não, que é canadiano ou americano. Suspeitam que serei turista. É a idade a não perdoar.
Da minha primeira classe ( na melhor escola primária de Vila do Porto) não sei de mais de metade dos meus ilustres colegas. Onde andam ? Serão turistas ? Estarão a caminho ?
36 anos. Leio estes ilustres blogs ( blogues?) marienses e reconheço que só conheço dois ou três dos seus autores.
Passeio nas ruas de Vila do Porto ( que são minhas como se sabe) e quase não conheço ninguém. Quem são estas pessoas ?
Na praia confundem-me com um qualquer japonês. Um primo distante diz que não, que é canadiano ou americano. Suspeitam que serei turista. É a idade a não perdoar.
Da minha primeira classe ( na melhor escola primária de Vila do Porto) não sei de mais de metade dos meus ilustres colegas. Onde andam ? Serão turistas ? Estarão a caminho ?
Pelos vistos o programa "Saudosismos" transmitido ontem no Asas teve o seu efeito, pelo menos a julgar pelo aparecimento de novos Blogues e bloguistas - Benvindos aos novos.
Contudo, a forma de não banalizar a blogosfera será, com diz o Nuno e bem, dando-se a conhecerem.`
É, sem duvida, muito mais interessante trocar ideias, discuti-las, discordar, opinar, enfim... botarfaladura com um interlocutor que se conheça, até por uma questão de respeito.
Ah, e já agora, tentem manter uma certa assiduidade, se possivel.
Contudo, a forma de não banalizar a blogosfera será, com diz o Nuno e bem, dando-se a conhecerem.`
É, sem duvida, muito mais interessante trocar ideias, discuti-las, discordar, opinar, enfim... botarfaladura com um interlocutor que se conheça, até por uma questão de respeito.
Ah, e já agora, tentem manter uma certa assiduidade, se possivel.
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